Um documento precioso e insultuoso…

Um documento precioso e insultuoso…

Em 1797, o povo de Jaguari, hoje Bragança Paulista, solicitou ao governador da Capitania de São Paulo que o seu lugarejo fosse elevado à categoria de “vila”. O governador, seguindo a praxe nesses casos, enviou um pedido de informações à Câmara de Atibaia, em cujo território ficava o lugarejo de Jaguari. A Câmara de Atibaia não hesitou em emitir parecer contrário: não era possível transformar Jaguari em vila, porque lá só havia bandidos e desertores, criminosos foragidos, gente da pior espécie, uma verdadeira canalha… Além disso, como eram todos analfabetos, não haveria como formar lá uma câmara municipal, com vereadores, juízes de paz e escrivães. Entretanto, a Câmara de Atibaia aproveitava o ensejo para pedir ao governador que mudasse a divisa com Mogi-Mirim para o Rio Camanducaia, porque “já havia gente nossa morando ao norte desse rio”. Eram os primeiros … Continue...
Para os moradores da Rua Silva Pinto

Para os moradores da Rua Silva Pinto

Dados sobre o homenageado: 23/2/1927 – Correio Paulistano – Faleceu em São Paulo o Dr. Joaquim José da Silva Pinto, “com todos os sacramentos da Igreja Católica”, natural do Rio de Janeiro, onde nasceu a 11/1/1854, filho do notável político e médico Dr. Joaquim José da Silva Pinto e de D. Maria Joana da Silva Pinto. Era casado com D. Lídia da Silva Pinto e deixa os filhos Dr. Paulo da Silva Pinto, casado com Amália Arruda Botelho da Silva Pinto; Isolina Pinto Leopoldo e Silva, casada com Arthur Leopoldo e Silva; Lídia Silva Pinto de Oliveira, casada com Dr. Manuel Gomes de Oliveira; e Albertina, Noêmia, Maria Joana e Joaquim, solteiros. Era irmão de Júlia Pinto da Veiga, casada com Saturnino da Veiga, e cunhado de Eduardo Freire, Eliseu de Campos Pinto; deixa também numerosos sobrinhos. Dados biográficos: formado … Continue...
História da Família Paiva Vidual

História da Família Paiva Vidual

Anotações oferecidas AO AMIGO FÁBIO (PAIVA VIDUAL) FICONDO. Paiva Vidual é o nome de uma família antiga e tradicional de Amparo, com permanente participação na vida da cidade, quer na política, quer na economia, quer no serviço público. Antônio de Paiva Vidual, que presumo português, falecido aos 77 anos em 1928, era casado com Maria Joaquina de Paiva. Era pai do major José de Paiva Vidual, Augusto de Paiva Vidual, casado com Esther Seckler de Paiva Vidual, Sebastião de Paiva Vidual, casado com Carmen Moreira Vidual, da sra. Olímpia de Paiva Novo, casada com Armando Ferreira Novo, e da Srta. Noêmia de Paiva Vidual. ( 5/10/1928 – O Estado de São Paulo). O major José de Paiva Vidual foi figura de destaque na política amparense nas primeiras décadas do século XX, quando integrava o Diretorio Leitista, junto com Francisco Inácio … Continue...
Colônia Árabe em Amparo

Colônia Árabe em Amparo

A Colônia Arabe do Amparo sempre teve intensa participação na vida da cidade, tanto pelo exercício do comércio, como pela colaboração nos esportes, na politica e em outras atividades. Selecionamos algumas notícias que mostram essa integração dos imigranes árabes na sociedade amparense. 7/5/1908 – O Estado de São Paulo – Diretoria da Sociedade Síria de Beneficiência e União: Presidente, Gabriel Jorge – vice, Antônio Chebel – 1º secretário, José Nami – 2º secretário, José Antônio – tesoureiro, Antônio Jorge – procurador José Feres – membros: Abdallah Milan, Frederico Jorge, Jorge Cury, Francisco Pedro, Jorge Pedro, Jorge Musse, Jorge José, José Musse, Zafter Salomão, José Cury, Jorge Ayub e Chedid Antônio. 21/3/1913 – O Estado de São Paulo – Sociedade Síria de Beneficiência e União – Presidente: padre Pedro Sakre; vice: José Feres; 1º secretário: Gabriel Jorge; 2º secretário:Alfredo Massad; tesoureiro: … Continue...
História da Família Boucault em Amparo

História da Família Boucault em Amparo

José Augusto Boucault, um dos pioneiros da Imprensa Amparense A família Boucault tem origem em Isidoro Boucault, francês, nascido em Paris em 1798, filho de João Baptista Eloi Boucault, que foi diretor geral das “Messageries Royales”, com sede em Paris, na praça de Notre Dame des Victoires. Estabelecido em São Paulo, Isidoro Boucault, que emigrara para o Brasil, exerceu o magistério particular, ao mesmo tempo em que freqüentava o curso jurídico da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Bacharel em direito e com carta de cidadão brasileiro, o Dr. Isidoro Boucault foi nomeado promotor público de Sorocaba, mas voltou ao magistério, exercendo cadeiras de Latim e Francês em Iguape, e depois, a partir de 1849, em Mogi das Cruzes, cidade onde faleceu anos mais tarde. (OESP, 6/5/1908) Isidoro teve vários filhos, dos quais pudemos identificar quatro, pelo menos: … Continue...
A colônia italiana em Amparo – Algumas Notas

A colônia italiana em Amparo – Algumas Notas

A colônia italiana em Amparo sempre foi a mais numerosa e uma das mais ativas. A maior parte de seus membros veio para o Brasil para trabalhar na lavoura. Mas muitos se dedicaram ao comércio, à indústria, às profissões liberais; fundaram clubes e sociedades de mútuo socorro, criaram empresas e participaram da política e da vida cultural da cidade. Aqui se casaram e constituíram família, integrando-se sem dificuldade na sociedade que os acolheu. Já havia italianos em Amparo na década de 1850, às vezes com passaportes austríacos, é verdade, mas depois da anexação do Trento e do Veneto, poucos se esquivaram à nacionalidade italiana. A partir de 1860 os italianos começam a aparecer na documentação eclesiástica e civil de Amparo em número cada vez maior, até que na década de 1890 ocorre a “grande imigração”, quando eles chegam aos milhares. … Continue...
História da Família Peterlini

História da Família Peterlini

Uma das maiores famílias de origem italiana da região de Amparo, tem como patriarca Constantino Peterlini, natural da Itália, falecido em Monte Alegre em 6/9/1927, aos 84 anos de idade, estando viúvo de Antônia Betega Peterlini. Deixou os filhos: Dionísio Peterlini, vereador em Amparo, casado com Josefina Fontana Peterlini; Abonadio Peterlini, casado com Maria Bortolotti Peterlini; Marcelino Peterlini, casado com Virgília Azzari Peterlini; Augusto Peterlini, casado com Cândida Mozer Peterlini; João Peterlini, casado com Leonide Daolio Peterlini; José Peterlini, casado com Elisa Dorigatti Peterlini; Archangelo Peterlini, casado com Maria Mozer Peterlini; Justina Peterlini Tafner, casada com Constantino Tafner; Maria Peterlini Longatto, casada com Augusto Longatto; e Augusta Peterlini Turazzi, casada com José Turazzi. Constantino deixou 60 netos e 17 bisnetos à época de seu falecimento. Hoje seus descendentes devem ser várias centenas. Foi uma família de imigrantes que rapidamente alcançou … Continue...
Criação do Município de Amparo

Criação do Município de Amparo

Há cento e sessenta anos, o mês de fevereiro de 1857 foi decisivo para Amparo. Nessa ocasião o deputado Pinto Porto apresentou na Assembléia Provincial projeto elevando Amparo à condição de “vila”, conforme notícia do “Correio Paulistano” de 14/2/1857. Uma das justificativas aduzidas para essa medida era a informação de que um grande número de lavadores campineiros havia chegado à Amparo, havia 6 ou 7 anos, por volta de 1850/1851, para plantar café. O deputado Pinto Porto havia sido juiz de direito da comarca de Bragança e conhecia, portanto, a nossa região. Nos dias que se seguiram, ocorreu o debate na Assembléia Provincial sobre esse projeto de criação da vila de Amparo. O artigo 2º do projeto dispunha que a vila não seria inaugurada enquanto o seu povo não construísse a cadeia e casa da câmara. Falaram os deputados Alves … Continue...
A Criação da Capela Curada

A Criação da Capela Curada

Estamos de volta à Cronologia Amparense, depois de meses de ausência. Dado o desgosto de nossos eventuais leitores com o vocábulo “ereção”, e após o saudável debate sobre o significado dessa palavra, com a participação do Samuel Bruno, Edgar, Carlos Arthur, Heloísa, Benjamin, Marcelo Henrique e outros, adotamos para esta crônica o título acima. A principal fonte que usamos foi o trabalho do Dr. Áureo de Almeida Camargo, “Romagens pelo Pátio”, que é a obra definitiva sobre o tema. Autorizada uma nova capela para a jovem povoação de Amparo, nos termos da licença concedida em 16/7/1824, pelo Vigário Capitular da Diocese de São Paulo, padre Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade, os moradores logo começaram a edificá-la. Entretanto, por um certo período, nada se encontra a respeito do assunto. Só em 9 de janeiro de 1828 um assento do Livro de … Continue...
A chegada do café e a elevação a freguesia

A chegada do café e a elevação a freguesia

Ereta a capela, definidos seus limites e nomeado seu primeiro cura, padre Roque de Sousa Freire, começou a se estabelecer no lugarejo do Amparo uma rotina com características urbanas. Passaram a haver missas dominicais, começou a ocorrer o afluxo de moradores rurais nos fins de semana para negócios, estabeleceu-se um princípio de administração pública, com fiscal, arruador e escrivão, que praticava atos legais como arruamento e alinhamento dos prédios e aplicava multas pela infração de posturas municipais. Surgiram novas casas comerciais e prestadores de serviços, como ferreiros e seleiros, e começaram a existir as primeiras manifestações de vida política. Entretanto, a zona rural também iria se modificar bastante, pois era exclusivamente produtora de gêneros de primeira necessidade, como feijão, milho,aves e ovos, e carne de porco, além de pequenos engenhos de açúcar e da produção de frutas como laranjas e … Continue...